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O morcego
Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! E, agora,
vede: Na bruta ardência orgânica da
sede, Morde-me a goela ígneo e
escaldante molho.
"Vou mandar levantar outra parede..."
- Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o
ferrolho E olho o teto. E vejo-o
ainda, igual a um olho, Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele
entra
Imperceptivelmente em nosso quarto! |
A idéia
De onde ela vem?! De que matéria
bruto Vem essa luz que sobre as
nebulosas Cai de incógnitas criptas
misteriosas Como as estalactites
duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!
Vem do encéfalo absconso que a
constringe, Chega em seguida às
cordas do laringe, Tísica, tênue,
mínima, raquítica...
Quebra a força centrípeta que a
amarra, Mas, de repente, e quase
morta, esbarra
No molambo da língua
paralítica! |