Prezada Sinhá-Mocinha,
Desejo a inteireza de sua saúde e o bem estar de todos daí.
Escrevo-lhe, de Leopoldina, para onde vim a 22 deste mês para exercer as funções de Diretor do Grupo Escolar local.
Eu, Ester e as crianças, fizemos boa viagem, apesar da poeira abundante que encontramos pelo caminho.
O povo aqui é nimiamente hospitaleiro, havendo-nos prodigalizado ótimo acolhimento.
A cidade é como todas as suas congêneres, de feio aspecto arquitetural, nada faltando, entreteanto, relativamente às comodidades. As casas são assoalhadas, têm luz elétrica etc. etc.
Até aqui, estou bastante satisfeito.
Empossei-me anteontem no emprego, com a solenidade relativa que lugares, como este, distanciados de pseudocivilizações afetadas, comportam.
Escreva-me sempre.
Saudades de Ester e das crianças, que lhe pedem a bênção.
Em breve escrever-lhe-ei com mais minuciosidade.
Recomendações as famílias de Artur, do Sr. Almeida, Corinha, Marica Cirne,Dr. Lima e a todos os conhecidos.
Abrace e abençoe o
Filho e amigo certo
Augusto dos Anjos
P.S. Moro à Rua Barão de Cotegipe, nº 11. Aliás, seria bastante no envelope mencionar o meu nome e o da cidade em que estou para chegar a carta ou qualquer outra correspondência às minhas mãos. Como sabe, nas cidades pequenas, tdos se conhecem e os números das casas perdem completamente a utilidade aritmética.
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